Entre 2000 e 2006, as empresas da indústria extractiva de mármores no concelho de Vila Viçosa diminuíram -30% (de 54 para 38), mas reforçaram o seu peso no Alentejo Central (51%), enquanto as indústrias transformadoras de minerais não metálicos passaram de 38 para 43 (+13%).

Vila Viçosa é um dos concelhos do Alentejo Central onde os estabelecimentos industriais têm maior dimensão empregadora, embora tal emprego se posicione em níveis tecnológicos baixos na indústria transformadora, ainda assim melhor que os concelhos vizinhos da Zona dos Mármores.
O mercado de trabalho local mostrava em 2005 o peso do sector extractivo no emprego de cerca de 1/3 do pessoal ao serviço, assumindo-se como o maior empregador, seguido de muito perto pelas indústrias transformadoras.
Vila Viçosa é o principal concelho empregador de mdo do Alentejo Central na indústria extractiva (64%) e transformadora de mármores (45%), a larga distância de todos os concelhos vizinhos da Zona dos Mármores, revelando-se assim um dos poucos concelhos verdadeiramente industriais do Alentejo e mesmo do país (em emprego). O peso empregador (por conta de outrem) do sector secundário (em 2006) era de 36% no AC, mas em VV era de 64%, enquanto o sector terciário pesava 31% e o primário apenas 4,7%, em VV.

O volume de desemprego não teve até final de 2008 o sinal alarmante de outros concelhos (mas começa a ser preocupante a avaliar pelos dados de Março de 2009: +17% desde 2005), fruto de alguma resistência do sector dos mármores à crise, vocacionado que está para nichos de mercado específicos como o médio oriente, onde os elevados preços de matérias primas como o petróleo têm permitido a manutenção de elevados padrões de qualidade de vida e de crescimento económico.
O sector dos mármores sofreu uma quebra significativa ainda antes da crise financeira internacional e, em consequência, reajustou-se, reduziu o número de unidades produtivas na extracção e transformação (em parte devido às novas imposições legais de carácter ambiental), reduziu mdo, tendo muita desta feito a sua transição para a reforma (pela via da pré-reforma), diluindo o impacto no desemprego ao longo do tempo.
O volume de desempregados em VV revelava logo em 2005 um peso relativo dos homens (45%) que era superior ao do Alentejo (40%) mas, ao contrário do que aconteceu com esta última realidade, onde os homens representam hoje 46%, em VV desceram para 38% em Março de 2009. O mesmo acontece com os desempregados com 55 ou mais anos, que baixaram em VV de 14% para 6%, enquanto no Alentejo continuam hoje a representar 17% contra 18% anteriormente.
Mas, entre Janeiro de 2005 e Março de 2009, o desemprego dos jovens com menos de 25 anos cresceu em VV de 19% para 26% (47-75), num volume e ritmo mais preocupantes que no Alentejo, que se mantém nos 17% de desempregados jovens.
Pior ainda é que os jovens com qualificações superiores, que estudaram fora e regressaram ao concelho de VV, são os mais afectados, porque representavam 2% do desempregados em 2005 e hoje são 4% (5-12), o mesmo se passando com os que adquiriram as qualificações de nível secundário no concelho, que subiram de 23% para 29% (56-84) com um peso que é quase o dobro do que representam no Alentejo (15% em 2005 contra 17% hoje).
A crise financeira internacional faz sentir os seus efeitos: o desemprego em VV cresceu 54% no primeiro trimestre de 2009, afectando já 290 pessoas com 201 novas inscrições no Centro de Emprego do IEFP desde Janeiro. O desemprego no concelho (+17% que em 2005) aumentou a duração (+35% DLD), afectando sobretudo o sexo masculino (+79%), os jovens que procuram o primeiro emprego (+67%), mesmo que qualificados com o ensino secundário, sendo estes 30% dos desempregados do concelho.
Bem preocupante é igualmente a situação dos jovens com qualificações superiores, que regressaram ao concelho de Vila Viçosa após os estudos, mas não conseguem encontrar emprego: +140% em 4 anos de governação socialista.
Assim, o prolongamento da crise financeira no tempo e os efeitos sobre a economia nacional, podem trazer inevitáveis consequências negativas a prazo, especialmente para os trabalhadores mais jovens que ainda restam no concelho, sendo por isso um desafio para os próximos 4 anos a manutenção dos níveis de emprego e o apoio à consolidação e crescimento das unidades produtivas existentes, onde a autarquia poderá ter um papel bastante activo, não só em relação ao sector dos mármores, como ao comércio, hotelaria e restauração, de forma a que sejam criados novos postos de trabalho que resolvam o problema de emprego aos:
Desempregados com habilitações de nível superior, quadros altamente qualificados que são fundamentais à competitividade do concelho, numa estratégia de atracção de empresas;
Jovens desempregados com menos de 25 anos, que há que fixar no concelho;
Desempregados com habilitações de nível secundário;