Enquanto em Óbidos, município presidido pelo PSD, a criatividade continua a atrair cada vez mais visitantes e a gerar riqueza e emprego, por cá, a monotonia da ausência de qualquer actividade cultural na Praça grande num domingo soalheiro à porta da Primavera não chega a ser perturbada pela discussão da demissão do Vice-Presidente da Câmara Municipal, porque, que a coisa não iria correr bem, já se esperava. O que não se previa é que durasse apenas pouco mais que um ano.
Certo é que, politicamente, o actual executivo socialista fica significativamente enfraquecido com a demissão de um Vice-Presidente que é (ainda) além do mais Presidente da estrutura concelhia do PS.
Caldeirinha Roma sabe que assim é, bastando-lhe recordar o quanto a sua demissão, na mesma posição, antes das eleições de 1997, enfraqueceu a posição do PSD a partir de então, nomeadamente de quem era então Presidente da Câmara.
O problema pode ser ainda maior para o Presidente Caldeirinha Roma, a partir daqui, pelo facto de o mesmo ter desancado publicamente os vereadores que votaram a deliberação camarária (publicada no Edital nº 22/2011) que reconhece a falência da Câmara e decreta o recurso a um plano de saneamento financeiro, catalogando de "badamecos" (Rádio Campanário - Caldeirinha Roma reage à demissão do Vice-presidente) esses mesmos vereadores, dois deles do PS.
É verdade que um deles se demitiu, mas o outro vereador do PS, que votou a deliberação com tal teor, mantem-se em funções, sendo confusa a relação de confiança política que o Presidente nele(a) deposita, e por isso prevendo-se bem conturbado o normal funcionamento da Câmara Municipal a partir de agora.
Resta esperar pela próxima crise, porque parece quase tão previsível como esta.







